—Pai como ele consegue escapar de todos estes tiros?
—Simples meu filho. Efeitos Especiais.
—Efeitos Especiais? O que é isso?
—Bem, deixe-me ver como te explicar (…). Efeitos Especiais são recursos utilizados em filmes, séries e seriados, que tem a função de criar situações surreais que não conseguiríamos alcançar normalmente.
— Hummm. E quando isso começou?
— Vejamos… Tudo começou quando o cartunista e escultor americano Willis O’Brien resolveu fazer algumas experiências envolvendo animações com massa de modelar. Acho que nem ele próprio previa que aquela singela luta de boxe resultaria em um convite para trabalhar em uma companhia de Thomas Edson — o da lâmpada — onde faria uma série de curtas de tema pré-histórico, como por exemplo, “The Dinossaur and the Missing Link” (1915).
— Nossaaa, e ele fez tudo isso sozinho?
— Nãooo. Ele contou com a ajuda de três homens: Marcel Delgado, Victor Delgado e Mario Larrinaga, grandes nomes da modelagem e dos efeitos especiais. Sem falar na pintura e na construção de cenários. O certo é que eles trabalhavam em função dos desenhos de O’Brien.
— E ele parou nos dinossauros, ou evolui com o tempo? (risos)
— Evoluiu e muito. Lançou vários projetos, entre eles “The Ghost of Scumber Mountain”, que causou grande frenesi na multidão, por se tratar da primeira vez em que monstros pré-históricos invadiam as telas do cinema. Após os monstros e dinossauros, o homem resolveu se aventurar com macacos. (risos)
— O que, ele foi trabalhar em um zoológico?

“Kung Fu Panda”: Animação computadorizada é possível graças aos avanços dos efeitos especiais.
— Não, longe disso. Continuou com as animações, mas agora o foco era produzir filmes onde macacos gigantes assombrosos fossem os protagonistas. E assim fez. Em 1933 lançou sua obra-prima, o longa-metragem “King Kong”, tida como a precursora dos efeitos especiais. E por fim ganhou um Oscar de efeitos especiais com o filme de outro primata gigante: “Mighty Joe Young” (1949). E pensar que aqueles monstrengos não passavam de bonecos que só ganharam vida graças ao stop motion…
— Stop Motion?
— É uma das técnicas usadas para se produzir animações. Com o auxílio de uma câmera, de uma máquina fotográfica ou até por computador você produz este efeito, que nada mais é que a reprodução de quadro a quadro (fotos) do personagem que se encontra parado, mas que nos causa a situação de vida, movimento! Estes personagens podem ser produzidos por desenhos em papel, através de bonecos feitos de massa de modelar — como O’Brien costumava fazer, ou então com um computador , com a técnica derivada do stop-motion chamada Go-motion, produzida por Phil Tippet, que queria dar mais naturalidade aos movimentos dos bonecos. Entendeu agora?
— Sim. Poxa, que bacana. Queria ter conhecido esse tal de O’Brien. Sorte de quem aprendeu com ele…
— Santo Ray Harryhausen…
— Disse alguma coisa pai?
— Nada não. Estava apenas me lembrando de um dos pupilos mais ilustres do Sr O’Brien. Graças a ele, vi cenas memoráveis em “Jasão e os Argonautas” de 1963, “A Sétima Viagem de Simbad” de 58, “A Fúria de Titãs” de 1981, e muitos outros. O garoto que costumava ir aos cinemas assistir os filmes de seu mestre virou referência na área e influenciou uma porção de gerações!
— Ta, mais o filme que a gente acabou de ver não foi stop-motion, né?
— Isso mesmo. Aqui foi usado computação gráfica. Técnica oriunda dos estúdios da Industrial Light and Magic, o grande quartel general do badalado diretor, produtor e roteirista George Lucas. A companhia se dividia em duas partes, uma trabalhava com softwares envolvendo a computação gráfica e a outra com efeitos sonoros. Este casamento resultou parte da saga de “Star Wars”, considerada por muitos, um dos maiores filmes de todos os tempos…
— Pai você falou dos efeitos sonoros. Eles fazem parte dos efeitos especiais?
— Sim, assim como os efeitos físicos. Os efeitos sonoros dão o incremento que falta aquele turbilhão de efeitos visuais e físicos. Eles podem ser produzidos digitalmente ou por meio de mixagem de som. Já os efeitos físicos são confeccionados manualmente, através de maquiagens, sets, entre outras técnicas.
— Que trabalhão que um filme dá, né pai?
— Sim, isso porque não falamos sobre roteiro, produção, decupagem… (risos). Mas isso a gente deixa pra uma outra vez. Pode ser?
— Melhor mesmo… hehe!
Confira os principais filmes na página 2, depois de ver esse vídeo:
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