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A sensibilidade dos bastidores

Fábio Bar­reto

O roteiro é sim­ples: Um jovem que adora cinema, que sonha um dia tra­ba­lhar no ramo, mas que vive da som­bra de outros gran­des cine­as­tas de sua famí­lia. Já não bas­tasse o pai, há tam­bém o irmão… Tal­vez o roteiro des­crito soe como de um filme. Ledo engano. A his­tó­ria é real e conta a vida do dire­tor, ator, pro­du­tor e rotei­rista Fábio Bar­reto. O cinema sem­pre esteve pre­sente na vida deste cari­oca. Filho de Luís Car­los Bar­reto e irmão do tam­bém cine­asta Bruno Bar­reto, atuou em seu pri­meiro curta-metragem quando tinha nove anos de idade. O nome do filme era “Três Ami­gos Que Não Se Sepa­ram”, que tam­bém con­tou com a par­ti­ci­pa­ção de sua irmã. Aos 20 anos ini­ciou sua car­reira no cinema diri­gindo o curta-metragem “A estó­ria de José e Maria” (1977). No ano seguinte dedicou-se ao curta “Mané Garrincha”.

Sua estréia como dire­tor de lon­gas acon­te­ceu no Fes­ti­val de Can­nes de 1984, com “Índia, A Filha do Sol” (1982). Pos­te­ri­or­mente o filme lhe ren­deu indi­ca­ção ao Prê­mio de Melhor Filme no Fes­ti­val de Havana.

Após o sucesso com “Índia, A Filha do Sol”, Bar­reto lan­ça­ria em 1986 “O rei do Rio”, estre­lado por Nuno Leal Maia e Andréa Beltrão.

Em 1984 — como ator — inter­pre­tou o mili­tar Siqueira Cam­pos em “Memó­rias de um Cár­cere”, adap­ta­ção do livro homô­nimo de Gra­ci­li­ano Ramos. A his­tó­ria con­diz ao período em que o escri­tor esteve preso.

Clau­dia Ohana atu­ando em “Luzia Homem”

A expe­ri­ên­cia com a lite­ra­tura ins­pi­rou o dire­tor em 1988, quando repro­du­ziu “Luzia Homem”, munido pela obra de Domin­gos Olím­pio. Em 1991, pouco antes daquela que se tor­na­ria para mui­tos sua obra prima, lan­ça­ria “Lambada”.

A magia dos pampas

Uma marca latente nas pro­du­ções de Bar­reto sem­pre foram os roman­ces e as his­tó­rias de supe­ra­ção. Em “Índia, a Filha do Sol” pode­mos ver uma índia que se apai­xo­nar por um cabo do exér­cito. Em “Luzia Homem”, a vin­gança que move a ser­ta­neja se trans­forma em amor. Já em “O Qua­tri­lho” (1995), sua obra de maior noto­ri­e­dade, a his­tó­ria dos dois casais de imi­gran­tes ita­li­a­nos que deci­dem morar jun­tos tam­bém é movida pela pai­xão pelos ver­des cam­pos rio-grandenses.  A trama é mar­cada pela infi­de­li­dade da esposa (Patrí­cia Pil­lar) que se inte­ressa pelo marido (Bruno Cam­pos) da outra.

Patrí­cia Pil­lar e Anto­nio Pater­nost em “O Quatrilho”

Antes de “O Qua­tri­lho”, o único filme naci­o­nal que havia sido indi­cado ao Oscar fora “O Paga­dor de Pro­mes­sas” (1962).

A com­po­si­ção de Bar­reto completa-se com: “Bela Donna” (1997), “For all — O tram­po­lim da vitó­ria” (1997) — como ator, “De con­versa em con­versa” (2000), “A pai­xão de Jaco­bina” (2002), “Nossa Senhora de Cara­vag­gio” (2007), além do seri­ado de TV “Donas de casa deses­pe­ra­das” (2007) até os mais recen­tes “Grupo Corpo 30 Anos — Uma Famí­lia Bra­si­leira” (2008) e “Lula, O Filho do Bra­sil” (2009).

Lula nas telo­nas

“Me inte­res­sei por fazer este filme não foi ape­nas pelo per­so­na­gem Lula, mas a pos­si­bi­li­dade de fazer um filme sobre o povo brasi­leiro, por que sei que ele é único. Ele é cora­joso, é tenaz, ele é soli­dá­rio, gene­roso, e está sem­pre lutando.” disse Bar­reto em entre­vista ao Canal Brasil.

Cena do filme “Lula, o Filho do Brasil”

E tama­nha admi­ra­ção ao povo bra­si­leiro e a Lula só pode­riam resul­tar em mais uma pro­du­ção do dire­tor Fabio Bar­reto. Con­tro­vér­sias a parte, o filme que retrata as difi­cul­da­des enfren­ta­das pelo então pre­si­dente Luis Iná­cio Lula da Silva pre­tende ser um sucesso de bilhe­te­ria. Com a popu­la­ri­dade do pre­si­dente em alta e por se tra­tar de uma mega-produção para os padrões naci­o­nais (cerca de R$ 18 milhões) o pró­ximo longa do dire­tor deverá reu­nir um público con­si­de­rá­vel onde for exi­bido.   Base­ado no livro homô­nimo escrito pela jor­na­lista Denise Paraná, que conta a tra­je­tó­ria de Lula — de seu nas­ci­mento até a morte de sua mãe, quando ainda é um líder sin­di­cal — o filme tem pre­vi­são para estrear no ini­cio de 2010. “Lula, O Filho do Bra­sil”, tende a ser o pri­meiro filme a estrear simul­ta­ne­a­mente em todo con­ti­nente sul-americano.

Bar­reto vê Lula como per­so­na­gem deci­sivo na his­tó­ria do país.

“Todos conhe­cem a parte polí­tica do Lula. Mas mui­tos não conhe­cem, não sabem, que ele só está ali hoje, foi gra­ças a sua vida sindi­cal. O que real­mente der­ru­bou a dita­dura mili­tar, o cora­ção disso, foi o ABC pau­lista. Foi este homem com aquele exér­cito de operá­rios que ele coman­dou con­tra o exér­cito brasileiro”.

Bar­reto afirma que o filme é tam­bém uma his­tó­ria de mãe e filho. “É um filme para mos­trar uma famí­lia que serve de exem­plo, para mos­trar a rala­ção de uma mãe para pre­ser­var sua família.”

Thi­ago Pon­tes, estu­dante de Rela­ções Públi­cas, aprova a ini­ci­a­tiva de Bar­reto.     “Muito pro­va­vel­mente irei assis­tir. Vejo a his­tó­ria do nosso pre­si­dente um tanto quanto curi­osa que vale a pena ser con­tada na grande tela. Acho que nenhum outro pre­si­dente ou grande líder mun­dial tenha a his­tó­ria que o Lula tem”

Já Rafael Cana­rin, estu­dante de Ciên­cias da Com­pu­ta­ção, pensa dife­rente. “Não, não me inte­resso pela his­tó­ria deste cara. A meu ver, ele só con­tri­buiu para alguns, fazendo com que o país ficasse pior do que antes”.

No último dia 20, Fábio Bar­reto sofreu um forte aci­dente auto­mo­bi­lís­tico. Seu estado per­ma­nece grave. De longe, nós, demais “filhos do Bra­sil” tor­ce­mos para que o dire­tor se recu­pere o quanto antes, ter­mi­nando assim outro roteiro com mais um sin­gelo happy end.

Con­fira os trai­lers e fotos do filme cli­cando aqui.

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Ivan Zola

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1 Resposta para “A sensibilidade dos bastidores”

  1. Edvaldo silva disse:

    Acho que no filme do Lula erra­ram no Ator, deve­ria ser Anto­nio Fagun­des, pois o filme não é fiç­ção ou carga pesada é ruim pra kacete…niguem merece este filme achei que Zeze de dica­margo ja teria feito o pior filme

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